quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Poesia Lírica - 9º Ano

Uma poesia trabalha sempre com três dimensões:

Conceitual - Nela está aquilo que a poesia quer dizer, o sentido propriamente dito do poema - ou, o que é mais comum, os sentidos do poema. As demais dimensões funcionam como auxiliadoras da dimensão conceitual.

Sonora - Aqui se encontra tudo aquilo que se refere ao campo dos sons: o ritmo, a rima, a métria, a musicalidade. Tudo isso ajuda na construção da dimensão conceitual.
Como exemplo, vejamos um excerto da música "Relógio baião", de Luiz Gonzaga:

"O tic tac do relégio
que do norte vem
é cadência bem marcada
que o baião tem"

Como podemos ver, a letra, que diz que o som do baião lembra o som do relógio, é ajudada pelo próprio ritmo do poema, que imita justamente um "tic tac". Então, tanto conceito quanto som estão fazendo sentido.

Das Imagens - Aqui se encontra tudo aquilo que pode ser "visualizado" em um poema, quer dizer, as imagens que o poema produz em nossa mente quando executamos sua leitura.
Vejamos um excerto da música "Shimbalaiê", de Maria Gadú:

"Pensamento tão livre quanto o céu
imagino um barco de papel
indo embora pra não mais voltar
tendo como guia Iemanjá"

Claramente, ao lermos ou ouvirmos a letra nos surge a imagem de um barco de papel navegando: aí está a dimensão das imagens!


Nas aulas, já vimos alguns dos recursos utilizados em poesia. São eles:

Paralelismo - É a repetição de um ou mais versos ao longo de um poema. Não confudir com refrão, que é a repetição de uma determinada estrofe ao fim de cada estrofe do poema.
Temos um exemplo de paralelismo na canção "Beleza pura", de Caetano Veloso:

"Não me amarra dinheiro não
Mas formosura
Dinheiro não
A pele escura
Dinheiro não
A carne dura
Dinheiro não"

O verso "dinheiro não" é repetido, temos, assim, um caso de paralelismo.

Metáfora - A palavra vem do grego e significa "mudança de sentido", isto é, trata-se da transformação de um sentido próprio em figurado. Em outras palavras, é uma comparação - mas sem a utilização da palavra "como" - entre dois termos que normalmente não são equivalentes, , com um deles emprestando sentido ao outro.
Temos como exemplo a frase do poeta Fernando Pessoa:

Meu coração é um balde despejado.

Há aqui a comparação entre o coração do eu-lírico com um balde despejado, mas sem o uso do termo "como"; além disso, o termo coração passa a possuir características de um balde despejado, ou seja, algo que já esteve cheio, mas que agora é vazio.

Oximoro - É o casamento de pensamentos opostos numa só expressão; seu resultado é o paradoxo, que é um conceito que contraria a lógica e o senso comum.
Como exemplo temos a famosa frase do personagem Chaves:

Foi sem querer querendo.

Ora, é impossível fazer algo sem querer e ao mesmo tempo querendo fazer.


Curiosidade:

Você sabe a diferença entre poema e poesia?

A poesia é o conjunto de todos os poemas de um livro ou de um autor (A poesia de Carlos Drummond de Andrade, ou seja, a obra dele); já o poema é apenas a unidade (O poema "Mãos dadas" é de Carlos Drummond de Andrade).

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