quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Texto de Formatura - Nonos e Terceiro - 2011

Alguns aspectos da filosofia nietzschiana, claramente inspirados na obra de Santo Agostinho, apontam o sofrimento como fator fundamental para o processo de maturação do ser humano. Para Nietzsche, o homem, enquanto ser limitado, sofre quando se depara com o seu limite. No limite do corpo, praticando exercícios, por exemplo, encontramos a dor. No limite da distância, a saudade. Não seria o caso, então, segundo esta análise, de escolhermos entre sofrer ou não sofrer, mas sim de decidirmos que postura tomar diante do inevitável.

Este ano de 2011, que logo menos se encerra, como todos os demais, deixou as suas marcas em nós. Ano difícil, que exigiu, de cada qual a seu modo, disposição para a mudança, na cabeça e na postura. Entretanto, criaturas acomodadas que somos, relutamos: estamos a querer a sempre mesma casa, em seus sempre mesmos móveis, dispostos da sempre mesma maneira. Queremos um emprego estável, uma família estável, os mesmos amigos. Qual o sentido de estarmos aqui, então, a celebrar uma passagem?

Meus queridos nonos anos, existe diante de nós uma vida imensa, não tenham pressa. Não há vergonha alguma em ser criança, mesmo quando se cresce. Meus amigos mais preciosos, digo por mim, são os mais pueris: eles me fazem rir, coisa tão difícil nesse mundo modorrento dos prazos e das contas. Lembrem-se, um coração que se endurece não é um coração maduro, pois, se maturidade é assumir responsabilidades, que dizer desses que se fecham para a própria vida? Assumam, sim, a responsabilidade de serem felizes.

Terceiro ano – difícil falar daquilo que não se conhece. Que foram todos os seus acessos? No emaranhado de expectativas, misto de sonho e medo que viveram o ano todo, como interpretar tudo o que fizeram? Não sei... Mas sinto que, lançados ao mundo desgastante dos estudos, ou aos perigos do ócio; chorosos de carência disfarçada em valentia, só queriam, em tudo, sempre e tanto, dizer: me aceita! Talvez... O que sei, é que sempre que me deparava com os teus rompantes, era como se qualquer coisa sua me dissesse:

Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com o seu carinho e lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou consolo.

Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo.
Do escuro, eu via o infinito sem presente, passado ou futuro.
Senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim.

De repente, a gente vê que perdeu, ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho

Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

Como disse, não sei... O que sei é que há um mundo enorme lá fora a tua procura, e que pede de ti essa vida que transborda em mágoa, mas também em alegria. E definitivamente não é hora de deixar o tempo esperando.


“Um belo sonho veio então despertar minha vontade, tudo vale a pena pra te reencontrar, me livrei de tudo aquilo e consegui mudar: tudo o que foi feito em troca de uma amizade...”

Obrigado.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

desabafo - meu e comigo

Quando decidi ser professor, sabia bem o que estava fazendo. Nunca ficaria rico, trabalharia horas a fio, inclusive aos fins de semana, sendo por isso frequentemente visitado pelo cansaço. Muitos foram os que me alertaram e até tentaram me persuadir: minha mãe, que me queria jornalista, meus amigos, que me queriam músico, compositor, escritor ou dono de boteco, a diretora da minha escola, que sabia bem do que dizia. Não alego, pois, ignorância, foi uma decisão absolutamente consciente. No momento em que marcava o xis no curso de Letras, o que eu fazia era, idealista que sou, ser sincero comigo, com aquilo que via (e que, teimoso, ainda vejo) como projeto de vida, no mais lírico dos sentidos.

Em meus três primeiros anos lecionando, vivi como quem vive um romance. Apaixonado pela carreira e pelos que faziam parte dela (colegas de trabalho e alunos, principalmente alunos), tive a convicção de ter escolhido bem. Acreditei ver ser possível educar para vida, estabelecendo relações mais que profissionais. São pessoas convivendo, eu repetia todos os dias, e pessoas se interferem. Acompanhei o crescimento de muita gente, de alguns tive orgulho - esses, os mesmos, eu sei, que se orgulham de mim -, por outros nutri esperança. Eu me via contribuindo e isso era bom.

Entretanto, veio o ano de 2011 e questionou tudo isso. Fui ofendido, dentro e fora de sala, algumas vezes. Todas por alunos por quem tive (já não posso dizer que tenho) um carinho enorme. Vi bons meninos e meninas mostrando-se qualquer coisa que não conheço e com a qual não concordo. Minha honestidade foi colocada à mesa, meu caráter também (e até, veja só, minha qualidade profissional, da qual tenho inabalável segurança - sei de tudo que fiz, sei de tudo que faço). Um considerável número de mentiras ao meu respeito divertiu alguns, a outros convenceu, sem direito de defesa, diga-se. Fraqueza minha, cedi. Não consegui deixar de me embrutecer. Eram pessoas de quem gostava, pessoas para quem dediquei momentos da minha vida, não queria vê-los de índole fraca, de vontade fraca, de postura fraca diante da vida.

Não consigo deixar de pensar que falhei com essas crianças, pois eu sei, sou corresponsável pela educação de todos eles. Mas não foi falta de esforço, talvez de traquejo, habilidade, mas não de esforço. Não consegui, me vendo coisificado e dispensado por já não ser útil, ajudar.

É claro que não falo aqui de uma população homogênea. Um bom número de moleques justifica os percalços, não por futuras aprovações neste ou naquele vestibular concorrido, mas por terem se mostrado humanos quando o entorno cobrava aspereza.

É um mundo difícil esse para aqueles que acreditam na educação, para os que acreditam nas pessoas, e em si. Este ano, que ainda guarda uma das suas, não duvido, me levou a inocência. Não reclamo. Aquela escolha feita, o xis no curso de Letras, a teimosia: foi tudo de caso pensado e eu não me traio. Nem desisto. Você, 2011, ano mais difícil, me ensinou que querermos o bem não faz com que ele entre em pauta, nem que seja bem quisto. Me ensinou que eu não tenho controle sobre as coisas que eu gostaria de ter e que, em boa parte dos casos, vai ser assim sempre e eu terei que conviver com isso. E isso é bom.

“...e ninguém, mas ninguém percebia que a sua raiva era um amor muito bem disfarçado...”

terça-feira, 29 de março de 2011

Para poucos

Confunde-se



Confunde-se estudo com virtude. Não é. Estudo é escolha, opção como qualquer outra. Escolhe-se estudar da mesma forma que se escolhe ler este ou aquele livro, ir ao cinema na quarta ou no sábado. Naturalmente, como as demais, é escolha pautada em elementos subjetivos - gosto, vontades, sonhos, aptidões, inclinações, determinação. Não gostar de estudar não faz má pessoa. Pois virtude é coisa que o estudo não é.

Confunde-se também respeito com virtude. Não é. Respeito é valor e como tal deveria habitar em todos como pressuposto para uma vida minimamente harmoniosa. Por ser de caráter consciente e racional, caminha ao lado do polegar opositor e do telencéfalo altamente desenvolvido como traço característico daquilo que é ser humano.

Porque virtude mesmo é outra coisa. Virtude é aquilo em nós que nos põe a praticar o bem e evitar o mal. Não se escolhe ser virtuoso, isso vem do caráter, do exercício moral de preocupar-se consigo e com o próximo - não é causa, é consequência. Ser paciente é ser virtuoso. Ter gratidão também. São coisas que nem todos são e que ninguém tem a obrigação de ser. Mas que sendo, eleva.

Entretanto, e talvez seja esse o cerne do problema, há quem confunda deboche e indiferença com virtude. Cultiva-se a cada um como fosse planta do trópico regada ao sol. Como consequência destruidora desse engano, ignora-se a memória, esquece-se do sonho partilhado, da dedicação gratuita, dos laços amparados no afeto e no comprometimento. Esvazia-se a si e ao outro, como fossem pouco. Como fossem descartáveis.

Assim, coisificando-se, um emaranhado de lembranças e cuidados dão lugar ao insulto, ainda que velado, calado nos olhares. Vive-se, então, onde só o defeito vigora. Onde só o defeito afasta. E triste é passar pela vida assim.




"Eu sei porque vi com meus olhos. Além dos luminosos que

não brilham mais, dorme às escuras a lua"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

texto - nonos e #terceirotiporei

Sobre um ano difícil, mas que soube, justamente por isso, fazer de cada um dos envolvidos nessa história uma pessoa indiscutivelmente melhor.

um beijo.



De quantos guardados é feita a memória, de quanta espera? Dostoiévski, em seu primoroso "O Idiota", desapercebidamente afirma que 'a beleza salvará o mundo'. Não a beleza das formas e dos corpos, mas a busca por uma beleza maiúscula, por um quê de qualquer coisa que nos leve além, que nos faça pertencer um tanto mais ao que é ser humano.
Chega a ser engraçado, mas cada um de vocês, particularmente, mesmo sem nunca ter ouvido falar no autor, na obra, na frase, vestiu, de maneira singular, essa afirmação de verdade.
O carinho dispensado por vocês, nonos anos, transformou manhãs, alargou fronteiras.
Os textos semanais, as músicas (alto lá! "É primavera, te amo!"), as declarações, implicâncias, brincadeiras e desabafos fizeram de cada um de nós, seus professores, cúmplices dessa alegria que namora a felicidade. Quem mais colocaria homens feitos num palco, freneticamente abrindo as suas asas e soltando as suas feras?
Por isso, nunca deixem que os convençam de não é possível, de que aprender é obrigatoriamente chato e, acima de tudo, de que o caminho mais fácil é o único possível. Vocês, e demonstraram isso ao longo de todo o ano, são maiores do que pensam. Então, por favor, não deixem que o medo de vencer e a rotina afoguem os sonhos de vocês. Seus sonhos são sua única propriedade, luta por cada um deles como se luta pela própria vida.
#Terceirotiporei, quem é você, afinal? A complexidade das histórias percorridas todo esse tempo tornam tão difícil a tarefa de nomear... não nomeemos, então. Mesmo porque, que são os nomes diante dos nossos ensaios ao fim da tarde, das discussões de quarta-feira, das tantas conversas sérias que tivemos sobre tudo? Não foi um ano fácil, mas alguém disse que crescer seria?
Certa vez, num desses dias cinzas, ouvi de vocês: "Com você, aprendi a ser exatamente como sou, sem que ninguém me apontasse o dedo e me obrigasse a estar em algum padrão, aprendi a ver a pessoa pelo que ela é e não por como ela aparenta ser. Aprendi a ver com o coração, que é o que dita o comportamento e o pensamento. O mundo quer que eu cale a boca, feche os olhos e seja mais uma no meio da multidão; você me ajuda a, se preciso, ir, falar, pensar o que quiser, como quiser, quando e onde quiser, a nadar contra a maré". Hoje respondo, aprendi tudo isso com vocês também.
Em nome de todos os professores, agradeço o privilégio de compartilhar com todos vocês o afeto e o conflito. Não nos esqueceremos, não se esqueçam.
Aos nono, até já. Ao terceiro, até breve. Um beijo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

2° Ano - pra vocês

Acho que nunca disse a vocês, mas devo, a cada um, um tanto de mim. Sabe, nunca dei aula para minha irmã - quando o faria, ela e as minhas outras missangas foram pra Vitória. Hoje sei que esse é um dos meus sonhos que não irá se realizar. Não reclamo.
Tê-los como alunos me possibilitou entendê-la melhor, minha maior amiga. No primeiro dia em que me vi como professor de vocês percebi que eram pedaços da minha missanga do meio que estavam ali. Percebi que, me debruçando sobre cada um, sobre suas histórias, seus casos, dava um passo significativo em diração à minha pequena.
Sim, me dei conta de que os amigos são profundamente responsáveis pelo que somos, pois nas suas piadas estavam as piadas dela; nos seus melindres também. Às vezes me pegava - me pego - completamente abobado com acontecimentos tão pequenos - nossa, é ela ali!
Vocês, independente da classe, sempre serão a turma dela, pois afirmo, categoricamente, que construíram em conjunto essa coisa indecifrável a que chamamos caráter.
Gente, muito obrigado. Sem vocês as coisas seriam diferentes em mim, no meu jeito de entendê-la. Acho que é por isso que insisto tanto. Ensiná-los é cuidar daquilo que ficou da minha família aqui.
Um dia eu quis dar aulas pra minha irmã do meio. Vieram vocês. Amém.
Olha, eu sei que é inverno, mas tem um céu lá fora. O infinito não precisa ser azul.





"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". É bobo, é do Pequeno Príncipe, mas é tão verdade.

sábado, 26 de junho de 2010

Texto II - Terceiro Ano

Segue agora a resposta de Zeca Baleiro à carta de Luciano Huck.



O rolo do Rolex

ZECA BALEIRO


NO INÍCIO do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal, entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então.
Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação.
Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal.
Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime.
Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração.
E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas.
Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]".
A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista "Veja", notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso.
Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate.
Por
fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só -uma luta de classes cruel e sem fim.

Texto 1 - 3º Ano

Texto escrito por Luciano Huck, publicado na Folha de São Paulo, em função do assalto sofrido em 2007.


Opinião: Pensamentos quase póstumos

LUCIANO HUCK

Luciano Huck foi assassinado. Manchete do "Jornal Nacional" de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.

Não veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.
Por quê? Por causa de um relógio.

Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.

Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.

Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.

Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.

Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.

Onde está a polícia? Onde está a "Elite da Tropa"? Quem sabe até a "Tropa de Elite"! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.

Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso.

Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir --com um 38 na testa-- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase "infantis" para uma sociedade moderna e justa.

De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.

Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber. Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de "extraterrestres" fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?

Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no "Roda Vida" da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal. Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, "Tropa de Elite" é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.

Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: "Cansei". O Lobão canta: "Peidei". Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.

Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.

Isso não está certo.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

1º Ano

Pessoal,

O conteúdo de 'Conectivos' já estava no blog.
Segue o link:

http://maetoestudando.blogspot.com/2009/10/conjuncoes-e-preposicoes-1-ano.html


Abraço,

Victor.

domingo, 13 de junho de 2010

Pronomes - 1º Ano

No que se refere aos pronomes, além da já conhecida classificação, precisamos estabelecer algumas distinções:

* Pronomes Adjetivos - São aqueles que se associam a substantivos, modificando-os (assumem, potanto, a função característica dos adjetivos)

Ex.: Meu livro é melhor que o seu. - Perceba que o termo em destaque está associado ao nome 'livro', restringindo-o (já não se fala mais de qualquer livro, mas daquele que me pertence).

* Pronomes Substantivos - São os que substituem os nomes, isto é, aqueles que ocupam um lugar naturalmente ocupado por um substantivo.

Ex.: Nós fomos à praia. - Veja que aqui, ao invés de dar o nome de todos aqueles que foram à praia, colocou-se apenas o pronome destacado, que os substitui, fazendo, assim, papel de substantivo.


** Pronomes Anafóricos - São aqueles que retomam um nome colocado, naturalmente, anteriormente.

Ex.: Quando vimos João, ele estava muito bonito. - Ao invés de se repetir o nome 'João', utilizou-se o pronome 'ele', justamente para evitar um segundo aparecimento do termo. Assim, temos que a função do Anafórico é auxiliar a coesão no interior do texto.

** Pronomes Catafóricos - São os que antecipam um nome. Como surjem antes dele, garantem certa ideia de suspense.

Ex.: Ele subia as escadas, logo nos encontraria naquela situação: meu marido chegava e nem haviamos terminado de preparar sua festa surpresa. - Atente-se para o fato de que o pronome 'ele', logo no início, refere-se ao termo 'marido', que surgirá posteriormente.

***Não esquecer:

Os pronomes de tratamento, ainda que sejam de segunda pessoa, flexionam-se como de terceira, daí 'você vai' e não 'você vais'.
Além disso, há a questão do Vossa e do Sua:

Utiliza-se o pronome Vossa quando falamos diretamente com pessoa:

Vossa Excelência, queira me acompanhar.

Já o Sua é empregado ao se falar da pessoa, quando nos referimos a ela:

Hoje Sua Excelência fez um belo discurso, no qual tratou dos problemas de nossa educação.

Excercício - Subordinadas - 2º Ano

Identifique e classifique as Orações Subordinadas:

1- Pareceu-me que tudo estava por um fio.

2- Ele estava restrito à ideia de que viajaria por todo o mundo.

3- Quando chegarmos, poderemos descansar.

4- O problema é que ninguém quer nada com nada.

5- Gosto das roupas dessa marca, que são as mais bonitas do mercado.

6- O frio aumentava à medida que subíamos a serra.

7- Constava que você não fizera as tarefas.

8- Se não cumprimos nossas obrigações, não merecemos nossos direitos.

9- Passei a entender por que as mães são felizes.

10- Todo o processo foi executado conforme o planejado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Carta - 3º Ano

Prezados Senhores,


Uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim, uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.
Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco. Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores. Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho, homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm idéia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi, naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.
Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa. Uso a camiseta de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante. Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno. Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, mais visível ele é. E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.


Moacyr Scliar

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Paratodos

Sabe, não restrinjo amizade: tenho amigos dos mais novos aos mais velhos. Em todos eles enxergo aquilo que, em mim, me salva do que tenho de pior. Creio em cada um feito quem ora, abraço-os como quem adentra um templo.

Nos mais velhos, vejo como é boa a alegria da infância, sábia que só. Que são os meus amigos mais velhos aqueles que mais se mostram dispostos a rir comigo, de mim, para mim; como se a maturidade viesse para ensinar a volta pra casa, um andar em linha reta que revela, doravante, o começo – já tão diferente, não pelo caminho, mas por quem nele se prolonga.

Dos mais novos, percebo como é belo o erro e o direito de tentar de novo. Sempre preferi os errados, falha de caráter, vai saber. Admirá-los crescer é perceber o quanto suas maiores besteiras insistem em desaguar naquilo que hoje guardam de mais sublime e belo. Meus amigos mais novos espelham em cravos, curvas e palavrões a responsabilidade que insisto em acreditar não ter. Que insisto em acreditar que não têm comigo.

È fato. Vivemos as pessoas que amamos. Cuidar dos nossos é mais que altruísmo – sentimento feio, desses que se julgam mais. É, na verdade, perceber-se pequeno e dizer em gesto ‘olha, preciso de você’, ‘olha, toma o que é teu’.

Vai ver é por tudo isso que não consigo enxergar relações funcionais. Não somos cargos e papéis, postura e fingimento. Somos homens e mulheres, todos tão carentes de carinho, que se vestem de roupa, mentira e dúvida só pra se esconder da vida. De tudo que a vida dá.

Quem sabe é a lua, não sei. Só queria dizer que tudo o que construímos – todo dia – é tão importante! Pois, olha, “eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também”. É de um cara chamado Caio Fernando Abreu, mas poderia ser da gente.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dissertação - 2º Ano

Inicialmente, vimos que a dissertação deve contemplar dois aspectos:

1- Exposição do ponto de vista. É aqui que se apresenta a visão de mundo do autor.

2- Defesa do ponto de vista. Neste ponto, é preciso que se procure convercer os leitores do ponto de vista adotado.

A estrutura ortodoxa da dissertação se apresenta da seguinte maneira:

Introdução - É nela que o ponto de vista é exposto/adotado.

Desenvolvimento - Nele se apresentam os argumentos que sustentam o ponto de vista adotado. Para que fique mellhor organizado, coloque um argumento por parágrafo.

Conclusão - Aqui cabem as considerações finais, a síntese dos pontos centrais do texto, ou ainda propostas de atuação real, que visem a solução do problema discutido.


Dois aspectos são fundamentais para um bom texto:

Coesão - Capacidade de interligar as informações presentes num texto. Lembre-se de que o texto deve manter uma sequência lógica, não informações soltas.

Coerência - Um texto deve seguir normas internas e acordos internos. Externamente, deve estar de acordo com o tema proposto e demais exigências (ter título, ser feito em prosa, por exemplo). Internamente, é importante que não se traia, isto é, que mantenha um mesmo ponto de vista do começo ao fim.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

3º Ano - Texto de apoio

Segue um texto que pode servir de suporte à produção da última aula.

Do livro Para uma menina com uma flor, de Vinicius de Moraes, 1965.


Amigos meus

Ah, meus amigos, não vos deixeis morrer assim... O ano que passou levou tantos de vós e agora os que restam se puseram mais tristes; deixam-se, por vezes, pensativos, os olhos perdidos em ontem, lembrando os ingratos, os ecos de sua passagem; lembrando que irão morrer também e cometer a mesma ingratidão.
Ide ver vossos clínicos, vossos analistas, vossos macumbeiros, e tomai sol, tomai vento, tomai tento, amigos meus! – porque a Velha andou solta este último Bissexto e daqui a quatro anos sobrevirá mais um no Tempo e alguns dentre vós – eu próprio, quem sabe? – de tanto pensar na Última Viagem já estarão preparando os biscoitos para ela.
Eu me havia prometido não entrar este ano em curso – quando se comemora o 19640 aniversário de um judeu que acreditava na Igualdade e na justiça – de humor macabro ou ânimo pessimista. Anda tão coriácea esta República, tão difícil a vida, tão caros os gêneros, tão barato o amor que – pombas! – não há de ser a mim que hão de chamar ave de agouro. Eu creio, malgrado tudo, na vida generosa que está por aí; creio no amor e na amizade; nas mulheres em geral e na minha em particular; nas árvores ao sol e no canto da juriti; no uísque legítimo e na eficácia da aspirina contra os resfriados comuns. Sou um crente – e por que não o ser? A fé desentope as artérias; a descrença é que dá câncer.
Pelo bem que me quereis, amigos meus, não vos deixeis morrer. Comprai vossas varas, vossos anzóis, vossos molinetes, e andai à Barra em vossos fuscas a pescar, a pescar, amigos meus! – que se for para engodar a isca da morte, eu vos perdoarei de estardes matando peixinhos que não vos fizeram mal algum. Muni-vos também de bons cajados e perlustrai montanhas, parando para observar os gordos besouros a sugar o mel das flores inocentes, que desmaiam de prazer e logo renascem mais vivas, relubrificadas pela seiva da terra. Parai diante dos Véus-de-Noiva que se despencam virginais, dos altos rios, e ride ao vos sentirdes borrifados pelas brancas águas iluminadas pelo sol da serra. Respirai fundo, três vezes o cheiro dos eucaliptos, a exsudar saúde, e depois ponde-vos a andar, para frente e para cima, até vos sentirdes levemente taquicárdicos. Tomai então uma ducha fria e almoçai boa comida roceira, bem calçada por pirão de milho. O milho era o sustentáculo das civilizações índias do Pacífico, e possuía status divino, não vos esqueçais! Não abuseis da carne de porco, nem dos ovos, nem das frituras, nem das massas. Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos. Fazei de seis em seis meses um check-up para ver como andam vossas artérias, vosso coração, vosso figado.
E amai, amigos meus! Amai em tempo integral, nunca sacrificando ao exercício de outros deveres, este, sagrado, do amor. Amai e bebei uísque. Não digo que bebais em quantidades federais, mas quatro, cinco uísques por dia nunca fizeram mal a ninguém. Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido.
Mas sobretudo não morrais, amigos meus!

terça-feira, 27 de abril de 2010

1º Ano - Advérbios

Os advérbios são termos modificadores por natureza. Estão geralmente associados ao verbo, mas também podem caracterizar o adjetivo, outro advérbio e mesmo toda a sentença.


Advérbio modificando verbo

Nós não fazemos nada sem a permissão do professor. - Perceba que o termo 'não' está negando a ideia colocada pelo verbo fazer: ao invés de executar a ação, o que se dá é a não execução.


Advérbio modificando adjetivo

O professor de Gramática é muito simpático. - Aqui, temos o termo 'muito' intensificando o adjetivo 'simpático', isto é, ampliando seu significado.


Advérbio modificando outro advérbio

Meu professor, que é gago, lê muito mal. - Veja que o verbo 'lê' está sendo modificado pelo advérbio 'mal', indicando o modo como o professor executa a habilidade de ler. Por sua vez, o termo 'muito' amplia o significado de 'mal'.


Advérbio modificando toda a sentença

Lamentavelmente, os alunos ficaram de recuperação. - O advérbio, neste caso, é aplicado a toda a sentença, isto é, garante uma ideia de modo a todo o enunciado.



Tipos de advérbio


Essas palavras podem apresentar diversos sentidos, entre eles:

Modo - demoradamente; bem; mal; melhor; pior.

Tempo - hoje; ontem; amanhã; breve; imediatamente.

Intensidade - muito; pouco; menos; mais; bastante.

Negação - não; nunca; nem; jamais.

Afirmação - sim; sempre; realmente.

Lugar - aqui; lá; longe; abaixo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

9º Ano - Tipos de discurso

Em uma narração, as falas de um personagem podem aparecer de três maneiras:

Discurso direto: quando temos a fala de maneira explícita, introduzida por sinais de pontuação adequados.

ex.: E Deus disse: - Faça-se a luz! - Aqui, temos o narrador dando espaço ao personagem 'Deus' para que exponha sua fala.

Discurso indireto: ocorre quando o narrador coloca, com suas palavras, aquilo que teria sido dito pelo personagem.

ex.: E Deus disse que a luz deveria ser feita. - Aqui, vemos o narrador falando pelo personagem. O discurso indireto é caracterizado pelo uso de verbos de elocução, isto é, verbos que introduzem uma fala (falou, disse, perguntou, argumentou e outros similares) e por conjunções, geralmente o 'que'.

É importante colocar que em o discurso direto é marcado pelo tempo presente, enquanto o indireto utiliza o passado. Além disso, se o direto usa termos que aproximam os fatos, como 'aqui', 'agora', 'hoje'; o indireto vai usar do afastamento, com 'lá', 'naquele dia'.

Discurso indireto livre: é indentificado quando no texto não se pode dizer ao certo se a elocução é do narrador ou do personagem, ou seja, o que está sendo posto pode tanto ser de um quanto de outro.

ex.: Seguir por aquele caminho, era o que fazia o homem. Não voltar os olhos para trás, é preciso seguir. Sim, é preciso. E seguia.

Aqui, vemos que aquilo que está destacado, pode tanto ser referente ao narrador quanto ao homem que segue pelo caminho. Quado temos tal 'confusão', estamos diante do discurso indireto livre.

9º Ano - Frase, oração e período

Devemos estabelecer três definições, que certamente acabam por se relacionar:

Frase - É o conjunto de termos que estabeleça, dentro de um contexto, sentido. Não vê o verbo como obrigatoriedade.

ex.: Fogo! - Esta palavra, quando aplicada a um contexto, pode apresentar diversos sentidos, tornado-se, assim, uma frase.

"Após a devida preparação do prisineiro, ouviu-se apenas a voz do capitão:

- Fogo!"

Oração - Sua exigência fundamental é a existência de verbo, assim, para cada verbo ou locução verbal teremos uma oração. Pode ou não consituir uma frase, isto é, possuir sentido completo.

ex.: O menino não se importava com as críticas. - Oração com sentido completo.

ex.: O menino disse / que não ficaria mais na casa. - Perceba que a primeira oração, se vista separadamente, não possui sentido completo, exige a segunda. Dessa forma, ainda que seja oração, não é uma frase.

Período - Pode ser formado por uma ou mais orações.

Período Simples - Formado por uma oração: Os alunos são muito estudiosos.

Período Composto - Formado por mais de uma oração: Os alunos disseram / que são estudiosos, / vão bem na prova / e não ficarão de recuperação.

Veja que as orações em seu interior são separadas nas vírgulas ou nas conjunções.

1º Ano - Determinantes

Algumas classes de palavras têm a função de modificar o substantivo, são os chamados Determinantes - possuem este nome pois determinam, isto é, especificam informações sobre os substantivos. Vejamos o exemplo:

O excelente professor mudou a vida daqueles três alunos.

Temos os substantivos 'professor', 'vida' e 'alunos', que, por sua vez, sofrem caracterizações impostas por artigos ('o' e 'a'), adjetivos ('excelente'), numerais ('três') e pronomes adjetivos ('daqueles'). Vamos a cada um dos casos.


Artigo


Temos um primeiro aspecto, que diz respeito ao grau de intimidade com aquilo que é designado.
Quando desconhecemos ou pouco conhecemos o ser representado pelo substantivo, utilizamos o artigo indefinido:

ex.: Um menino anda pela rua.

O que não acontece quando nos referimos a seres já conhecidos:

ex.: O Rodrigo faltou porque está doente.


Os artigos aparecem em pequeno número, mas têm uma significativa importância no sentido de um texto.

Conheci um cara bom em Gramática.

Conheci o cara em Gramática.

Veja que com a substituição do artigo indefinido pelo definido, mudamos radicalmente o sentido do que é posto: o 'cara' da primeira oração não é tão bom quanto o da segunda, já que o artigo definido garante uma ideia de importância, que não é dada pelo indefinido.


Adjetivo

O adjetivo é mais clássico modificador do substantivo, sendo essa a sua única função. É importante considerar que a posição do adjetivo diante do substantivo também influi na intensidade do modificador em questão.

ex.: As belas garotas não se interessam por nós.

As garotas belas não se interessam por nós.

Observe que a anteposição do adjetivo garante um maior destaque a ele na primeira frase.


Numeral

Dividem-se em dois grupos, os ordinais e os cardinais.
Numerais ordinais garantem uma ideia de ordem: primeiro, segundo, terceiro.
Numerais cardinais sugerem quantidade: um, dois, três, meio.

Como são números, tendem a passar um sentido de impessoalidade, visando apenas a informação concreta.


Pronomes Adjetivos

Os pronomes podem se apresentar de duas maneiras:

Pronomes Substantivos - ocupam o lugar de um substantivo, valendo por um.

ex: Este é melhor que aquele. - tanto o pronome "este" quanto o "aquele" estão ocupando o lugar de substantivos.

Pronomes Adjetivos - associam-se a um substantivo, caracterizando-o, assumindo função de um adjetivo.

ex: Este livro é muito bom - perceba que não é qualquer livro, mas "este" de que falo.

Importante: Apenas os Pronomes Adjetivos fazem parte do grupo dos Determinantes, pois apenas eles modificam um substantivo!!!

1º Ano - Substantivo e Verbo

No que se refere ao substantivo, cabe colocar, inicialmente, os seguintes aspectos:

1- No campo semântico, isto é, do sentido, dá nome às coisas e aos seres, reais ou imaginários.
Por exemplo, a palavra 'casa' dá nome ao lugar onde se vive.

2- Em sua morfologia - capacidade da palavra se adaptar a diferentes contextos -, varia em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural). Tomemos como exemplo a palavra 'menino', que possui o feminino 'menina' e o plural 'meninos' - veja, trata-se da mesma palavra, mas que sofre adaptações para dar conta dos contextos nos quais pode se inserir.

3- No âmbito sintático - que dá conta das funções que um termo pode assumir em um discurso -, o substantivo ocupa, majoritariamente, as funções de núcleo do sujeito e do objeto em uma oração.

Ex: Os alunos farão uma boa prova. - Vemos 'alunos' como núcleo do sujeito e 'prova' como núcleo do objeto.


Temos, dentro do grupo dos substantivos, subclassificações. São elas:

Substantivos próprios: designa um representante de uma espécie - Maranhão, Brasil, Jesus.

Substantivos comuns: nomes que designam os seres de uma espécie de forma generalizada - estado, país, homem.

Concretos: nomeia seres de existência independente, reais ou imaginários - rua, garoto, saci.

Abstratos: nomeia atributos que se referem aos seres, isto é, coisas que para existir, precisam estar associadas a um ser - carinho, ingenuidade, amor, dor.

Coletivos: Nomeiam agrupamentos de seres de uma mesma espécie - cáfila (agrupamento de camelos), cardume (agrupamento de peixes).


Sobre verbos, cabe colocar:

1- Em seu aspecto semântico, dá conta de ações, estados e processos.
2- Morfologicamente, apresenta variações de tempo (passado, presente e futuro), de modo (indicativo, imperativo e subjuntivo), de pessoa (1ª, 2ª e 3ª) e de número (singular/plural).
3- Sintaticamente, funciona como termo mais importante (núcleo) da oração.

segunda-feira, 8 de março de 2010

9º Ano - Vocativo

Vocativo vem do verbo latino "vocare", que significa "chamar". Assim, vocativo é a pessoa "chamada" numa frase, isto é, a quem se dirige o pessoa que fala.

Exemplo:

João, Maria virá mais cedo hoje!

Veja que João (o vocativo, isto é, a "pessoa chamada") vem isolado por vírgula - esta é uma característica marcante do vocativo, mesmo quando em outras posições na frase:

Maria virá mais cedo, João!

Maria, João, virá mais cedo!


É importante não confundir vocativo com sujeito. No exemplo que utilizamos, temos João como vocativo e Maria como sujeito, isto é, como núcleo da ação verbal (é ela quem virá mais cedo).

Obs: Sempre que na frase surgir uma interjeição de chamamento, ela fará parte do vocativo:

Ô João, Maria virá mais cedo!